Garoto Babaloo

Sexta-feira passada eu estava no msn de tarde, naquele momento em que os homens coçariam o saco, quando um garoto desconhecido apareceu do nada conversando comigo. Dentre tantas possíveis razões, a que me fez responder as mensagens dele – coisa que eu não faço freqüentemente com desconhecidos – foi o puro tédio.

A conversa dele não era nada sensacional, não me empolgou, admito que o deixei falando sozinho por algumas vezes, mas na competição acirrada que acontecia no meu msn naquela tarde, ele perdeu o prêmio de pior papo, então resolvi dar trela para ele e não para um outro zé-mané. Entregue o prêmio, descobri que ele encontrou meu msn em um tópico de novos moradores do nosso bairro e que morava realmente muito próximo de mim. A conversa se arrastou pela tarde inteira e ele parecia realmente aflito para um encontro téte-à-téte.

A semana tinha sido bem tortuosa, de modo que aceitei encontrá-lo antes de ir para a faculdade e pegar uma carona até o ponto de ônibus. Eu não o conhecia, eu não tinha achado graça nele, mas fui assim mesmo. De uns tempos para cá – principalmente depois da história do meu vizinho (que contarei em outra ocasião) – resolvi mudar minha estratégia de relacionamento. Nos encontramos perto de casa e ele era bem feinho, mas tinha um papo melhorzinho ao vivo e eu estava inspirada, de maneira que a carona até o ponto de ônibus se estendeu até a faculdade. 

Ficamos mais uma hora e meia no carro conversando antes de eu descer para entrar para a aula e ele insistiu em esperar no carro que eu terminasse o que tinha que fazer para sairmos logo depois. Eu deveria ter percebido que ele era grudento logo ali, mas como eu disse, eu estava inspirada, quebrando ele com minhas piadas – coisa que eu gosto muito de fazer – e o papo estava, afinal de contas melhorando, então acabei relevando a possiblidade de garoto-chiclete.

Enquanto estava faminta na aula, ele mandou uma mensagem oferecendo um Mc Donalds. Irresístivel. Saí e fomos para o Drive Thru, comi, conversamos e ele sugeriu me deixar em casa para que eu pudesse assistir ao jogo do Brasil e Venezuela ( adoro futebol ), enquanto ele resolvia algo em casa. Aceitei, pois seria um bom modo de encerrar a noite. Ele, porém, não parecia interessado em encerrar ali e combinou com ele mesmo que me buscaria depois do jogo para sairmos. Digo com ele mesmo, pois não demonstrei interesse na esticada pós-jogo, mas deixei-me levar na hora, por que eu sabia que arranjaria uma desculpa para não ir, como efetivamente aconteceu depois. Como eu disse, estou reformulando meus métodos de relacionamento. Não beijei o garoto, não me insinuei, não provoquei, não falei sacanagem, não pulei em cima dele, não caí de boca, nem abracei! Ou seja, foi tudo amigável.

O que ocorre é que passei o fim de semana inteiro fugindo da peça, que queria sair de qualquer maneira. De volta no msn, começou com conversê achando que tava arrasando. Achando só, né? Ligou algumas vezes, mandou mensagem e eu sempre me esquivando com alguma desculpa. E o fofo não se tocando. Me ligou hoje também, mas resolvi não atender para guardar as desculpas para quando não der para evitar.

Tá, foi uma sexta feira legal. Tá, me diverti, dei risada, matei a fome e inaugurei meu novo operacional de passeio envolvendo possíveis peguetes. Mas sabe quando não dá, não rola, não funciona? O menino é bonzinho, até figurinha de álbum ele quer me dar, se ofereceu para me levar pra aula diariamente… Mas de repente, pra mim, isso está virando paranóia. Quando o cara chega ao cúmulo de perguntar três ou quatro vezes se “Você gostou de sair sexta?”, com variações entre “Você gostou de sexta?” e “O que achou de sexta?” , acho que não há mais futuro.

A verdade é que mulher é igual homem, ninguém gosta de gente grudento, modelo babaloo. Se a garota gostou, ela vai deixar você saber disso, de um jeito ou de outro. A última coisa do mundo que alguém procura para se relacionar é a insegurança. Cada um já tem a sua própria para lidar vez ou outra, agüentar a dos outros é demais. Se você foi inesquecível, ela vai lembrar e te dar um sinal. Legal você dar um sinal, homem. Mas putaquepariu, não precisa soltar sinalizador de navios, mandar caminhão de telemensagem e jogar pedrinha na janela.

Um beijo, D.

 

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Das verdades de se falar a verdade

Resolvi criar este blog por despeito inveja. Essa é a verdade.

Descobri dois blogs muito bons do gênero e fiquei me roendo de raiva por não ter sido a criadora de nenhum dos dois. Decidi criar um blog para chamar de meu. Não que eu não tenha um blog, eu tenho, mas ele não me permite fazer o que quero fazer nesse, nem escrever as coisas que pretendo escrever aqui. Queria criar um nesse molde, que vocês perceberão qual é conforme eu for postando e vocês forem lendo.

Estou sendo bem confiante e metida ao supor que já terei leitores. Tão cedo! Nem ofereci um café ainda. Aliás, está tarde para um café, ofereço uma tequila para começarmos bem a noite. Embebedando as pessoas estou apenas sendo uma boa anfitriã e, na verdade, tentando garantir critícas doces sobre o que escrevo.

O VSAM – A Verdade Sobre as Mulheres – veio para desmistificar algumas coisas que as mulheres fazem, explicar e esclarecer pontos importantes, bem humorados e que deixam até os homens carecas de cabelo em pé. Está em meus planos também ilustrar os post com histórias reais e talvez particulares.

Coisa que já começo a fazer logo no próximo.

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